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Equacionar a mobilidade é um dos principais desafios

ENTREVISTA: JAIME LERNER

Político e urbanista paranaense, Jaime Lerner é hoje considerado um dos principais planejadores urbanos do mundo. Seus projetos destacam-se por resolverem problemas fundamentais de transporte e de expansão urbana. Uma das suas defesas para uma cidade sustentável é a priorização do transporte público. Lerner deixa de lado a estruturação do metrô e propõe explorar a superfície e a integração dos sistemas de transporte.

NTU - O escritório Jaime Lerner elaborou dois projetos para melhoria do transporte público no Rio de Janeiro e em Recife. Quais as principais linhas
dessas propostas?

Jaime Lerner - São quatro pontos fundamentais: Trabalhar melhor com o que já existe, com as infra-estruturas e investimentos que as cidades já
tem; integrar as linhas em superfície, o transporte em superfície com o metrô e, no caso do Rio de Janeiro, integrar também os trens de subúrbio;
‘metronizar o ônibus’, ou seja, dotar o ônibus das características de conforto e eficiência do metrô; e transformar um conjunto de linhas em um sistema
de transporte de massa, que extrapola a implantação de pistas exclusivas e compreende também questões de embarque/desembarque e transbordo,e principalmente freqüência.


NTU - Qual o impacto elas devem ter nas cidades?

JL - Contribuirão para melhorar as condições de
mobilidade nestas cidades. Se a alternativa do
transporte público for boa, as pessoas a utilizarão.

NTU - Como mudar o conceito de ônibus que existe hoje no Brasil que, apesar de ser essencial, é secundário nas políticas públicas?

JL - Como equacionar a questão da mobilidade é um dos principais desafios das cidades contemporâneas. Conquanto todos os modos de transporte –
ônibus, tens, metrô, transporte individual – devam ser utilizados de forma inteligente naquilo que podem oferecer de melhor dento das possibilidades
de cada cidade, o futuro do transporte urbano está na superfície, pela imensa economia de custos, facilidade e rapidez de implantação e flexibilidade que permite.
Ainda, as características que distinguem o metrô podem ser incorporadas ao sistema de transporte em superfície. É o que me refiro no conceito de‘metronizar’ o ônibus: rapidez, embarque e desembarque pré-pago e em nível, e sempre que possível prioridade na circulação.

NTU - A redução do numero de automóveis nas ruas é uma de suas defesas. O que fazer para tirar as pessoas do transporte individual e atraí-las
para o transporte coletivo?

JL - Não se trata da redução do número de automóvel nas ruas, e sim do mau uso que se faz dele. Oferecer um transporte público de qualidade
é imperativo para que as pessoas não onerem o sistema viário da cidade em seus deslocamentos de rotina ao utilizar o veículo individual.


NTU - Que cidade, dentro ou fora do Brasil, o senhor apontaria como o melhor exemplo para o transporte público? Qual o diferencial dela?

JL - Teria que citar o exemplo de Curitiba, que inspirou soluções de transporte em superfície com ônibus em mais de 80 outras cidades, como Bogotá, Seul, Cidade do México e Los Angeles.

A compreensão da importância de se pensar o desenho da cidade integrando transporte público, sistema viário e uso do solo, a prioridade de
investimento no transporte coletivo, a montagem de um sistema que se sustenta sem subsídios com alta qualidade e eficiência, o respeito aos usuários e a busca constante da inovação na simplicidade.

Fonte: NTUrbano

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