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Novas catracas para evitar invasões no BRT Norte-Sul

Depois do Corredor BRT Leste-Oeste começar a testar um novo modelo de bloqueios para evitar a invasão das estações sem pagamento da tarifa, agora é o Corredor Norte-Sul, o segundo BRT da Região Metropolitana do Recife, a adotar um novo tipo de catraca bem diferente da proposta modernista projetada quando o sistema era apenas promessa. Assim como as do Leste-Oeste, elas são altas (para evitar que sejam ultrapassadas) e de ferro – algo bem diferente do inox das catracas de três braços utilizadas originalmente nas estações do sistema.

Os testes começaram na Estação Jupirá, em Olinda, na sexta-feira (15/12). Os equipamentos foram instalados pelo Consórcio Conorte, que opera o BRT Norte-Sul, com o aval do Grande Recife Consórcio de Transporte, gestor do sistema de ônibus na Região Metropolitana. A largura dos novos equipamentos é a mesma dos outros bloqueios, garantem os operadores, mas a altura é maior, o que dificulta a passagem. Enquanto os bloqueios convencionais das estações de BRT têm, em média, um metro, o novo modelo tem 1,50 metro.

As novas catracas, entretanto, não são tão altas quanto a primeira instalada na Estação Benfica do Leste-Oeste – que de tanta reclamação terminou reduzida – e a largura permite a passagem também das pessoas obesas. Embora seja um equipamento agressivo, que destoa pela altura e cor em relação ao visual das estações de BRT, os operadores argumentam ser a única solução para diminuir a evasão de receita do sistema, que já está em 12% dos passageiros transportados, ultrapassando, por exemplo, a perda do sistema convencional de ônibus – que é de aproximadamente 10%.

“A Jupirá, estação escolhida para teste dos novos bloqueios, foi a que apresentou o maior índice de invasões: 9%. Isso significa dizer que, das 700 pessoas que diariamente entram no sistema por aquela estação, quase 70 passageiros o fazem sem pagar. Instalamos câmeras para ver o que acontecia e colocamos funcionários para monitorar as invasões, mas o custo é alto. Para monitorar cinco estações, foram 60 homens. Imagine quanto não precisaríamos para monitorar as 25 estações que estão em operação?”, pondera Gibson Pereira, do Conorte.

A nova catraca ficará em teste por 30 dias e a previsão é de que seja ampliada para todo o Norte-Sul. “Só funcionará assim. Não podemos tratar o corredor em separado porque aquele usuário que está acostumado a não pagar passagem sairá da estação que está com os novos bloqueios para uma que não os têm. Infelizmente, o problema da evasão está muito sério. A crise econômica mudou muito o comportamento dos passageiros e, se não fizermos algo, o BRT não sobreviverá. Ele tem custos que precisam ser cobertos e quem termina arcando com essa despesa são os passageiros corretos, acostumados a pagar a tarifa. Eles, por exemplo, têm aprovado as novas catracas”, garante Gibson Pereira. Cada jogo de bloqueios custa R$ 32 mil. De inox, serio o dobro do valor.

As novas catracas, de fato, nem são bonitas nem confortáveis, embora o modelo do Norte-Sul seja mais quadrado do que o do Leste-Oeste, oferecendo mais espaço para os usuários passarem com bolsas e mochilas, por exemplo. Mas se o sistema BRT virar, de fato, um equipamento no qual as pessoas se acostumem a invadir, será o fim. E a conta pesará, de um jeito ou de outro, no bolso do passageiro pagante porque o governo do Estado não tem nem terá recursos para cobrir a evasão de receita e o setor empresarial não ficará com esse prejuízo.

O GRCT confirmou o teste do equipamento no Norte-Sul, mas não deu mais detalhes sobre a ampliação do modelo para o sistema. 

 

Fonte: De olho no trânsito

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