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BRT finaliza licitação para os 4 lotes

Duas empresas e dois consórcios de empresas venceram nesta segunda-feira (19) a licitação para implantação do maior projeto de infraestrutura de mobilidade urbana de Campinas, os corredores por onde circularão os BRTs (os ônibus rápidos). Após quatro adiamentos para a escolha dos responsáveis pelas obras, a Prefeitura conseguiu, com o leilão presencial, reduzir o custo do projeto e execução em R$ 96,16 milhões, graças ao deságio de 17,8% ofertado pelos concorrentes. Com o fim da disputada de preços, a implantação dos BRTs custará R$ 443,4 milhões. As obras, segundo o secretário de Transportes, Carlos José Barreiro, começam em janeiro e estarão concluídas em 2019.
Dezessete empresas participaram da licitação. O resultado do pregão, com a classificação, será publicado em 15 dias, período em que será feita a análise de toda a documentação técnica apresentada pelos vencedores. Após a publicação, serão dados 5 dias para eventuais recursos administrativos e, então, será assinado o contrato dos quatro lotes de obras. Algumas empresas disseram que recorrerão, por considerar o deságio oferecido em alguns lotes irreais.
Com a implantação dos corredores de transportes, a Prefeitura terá chance de promover uma intervenção urbanística importante na cidade, com a possibilidade de revitalizar e valorização das duas regiões — Campo Grande e Ouro Verde —, disse o arquiteto e especialista em sistemas viários Marcio de Oliveira Linhares. Um dos impactos esperados, afirmou, é o adensamento populacional ao longo dos corredores, como ocorreu em Curitiba.
A Prefeitura licitou os corredores em quatro lotes. O primeiro, formado por um trecho do Corredor Campo Grande, que ligará o Centro até a Vila Aurocan em 4,3 quilômetros e mais o Corredor Perimetral, com 4,1 quilômetros, foi arrematado pelo Consórcio BRT-Campinas, formado pelas empresas Arvek, DP Barros, Empav, Trail e Pentágono. O consórcio ofereceu um desconto de 16,23% e a obra e projeto executivo custarão, com esse deságio, R$ 87,2 milhões.
Um dos lotes mais disputado, e vencido pela empresa Construcap - CCPS Engenharia e Comércio, foi o de número 2, do Corredor Campo Grande, que ligará a Vila Aurocan ao Terminal Itajaí, em 13,6 quilômetros. Essa ligação foi dividida em três trechos: um, de 5 quilômetros, liga a Vila Aurocan até a ponte da Rodovia Bandeirantes; outro, de 6,4 quilômetros liga a Bandeirantes ao terminal Campo Grande e outro, de 2,2 quilômetros, vai do Terminal Campo Grande até o Terminal Itajaí. A Construcap ofereceu um deságio de 17,05% e levou o lote após seis rodadas de lance.
O lote 3 é integrado por um trecho do Corredor Ouro Verde, que liga a região central até a Estação Campos Elíseos, com 4,8 quilômetros de extensão e foi vencido pela Compec Galasso Engenharia e Construção, que ofereceu um deságio de 22,02%, o mais alto desconto entre os quatro lotes. O trecho custará R$ 59,3 milhões
Já o lote 4 foi o mais disputado. Foram sete rodadas de lances que acabou sendo arrematado pelo Consórcio BRT-Campinas/Construtora Artec S.A. O grupo ofereceu 17,9% de desconto e as obras previstas no lote sairão por R$ 100,4 milhões — o lote prevê obras do Corredor Ouro Verde, que ligarão a Estação Campos Elíseos até o Terminal Vida Nova, totalizando 9,8 quilômetros de extensão.
Barreiro disse que deverá dar a autorização para que os quatro vencedores da licitação façam os projetos executivos dos respectivos lotes e dará ordens de serviço para início das obras à medida que os projetos forem sendo concluídos. Por isso, não é estimado por onde as obras terão início. 
Recursos milionários virão do Tesouro e empréstimo
Dos R$ 443,4 milhões que custarão os corredores do BRT, a Prefeitura conseguiu R$ 340 milhões em recursos do Tesouro e financiamento. A diferença virá de empréstimo que a Administração fará para poder implantar o projeto integral. Os corredores atenderão uma região de 425 mil pessoas e por eles circularão 250 mil dos 652 mil passageiros que utilizam ônibus em Campinas por dia. No total de 36,6 quilômetros de corredores haverá 29 pontos de paradas, nove estações de transferência, cinco terminais e 16 pontes e viadutos.
A previsão da Administração é de que os corredores de ônibus provocarão uma mudança radical em algumas das áreas da cidade — a infraestrutura que será necessária implantar para o sistema BRT, além de resolver importantes gargalos no trânsito, provocarão uma requalificação do espaço urbano. Um desses gargalos, o trecho da Avenida John Boyd Dunlop, sob a ferrovia, no Jardim Florence, será resolvido antes mesmo da chegada do corredor Campo Grande naquela região.
A empresa ALL já iniciou a obra e fará uma nova configuração da ponte. A região do supermercado Enxuto, na John Boyd, vai mudar complemente de configuração viária para poder receber o Corredor Campo Grande, por onde circularão os BRTs.
Hoje o trânsito na área está constantemente parado, porque os cruzamentos são em nível, o que prejudica com lentidões diárias, o tráfego na região. A solução para dar fluidez e garantir a passagem direta dos ônibus do sistema BRT será a implantação de um viaduto em cima da avenida.
 
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